Questão 48 — ENEM 2025 (Humanas)

A credulidade dos ouvintes aumenta o descaramento do narrador, e o descaramento deste conquista-lhes a credulidade. A eloquência, quando levada a seu patamar mais alto, deixa pouco lugar à razão ou à reflexão, mas, dirigindo-se inteiramente à imaginação e aos afetos, cativa os ouvintes condescendentes e subjuga-lhes o entendimento.

HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Edunesp, 2003.

No contexto do século XVIII, o autor propõe uma reflexão radical acerca da arte da eloquência, restringindo-a ao

Resolução

O texto de David Hume trata do poder da eloquência sobre os ouvintes, argumentando que, em seu nível mais elevado, ela abandona a razão e a reflexão para agir sobre a imaginação e os afetos, subjugando o entendimento. Trata-se de uma crítica ao domínio da persuasão em detrimento da racionalidade.

A alternativa correta identifica que Hume restringe a eloquência ao âmbito da persuasão, traçando um paralelo com as críticas de Platão aos sofistas. Os sofistas gregos eram conhecidos por usar a retórica como instrumento de convencimento sem compromisso com a verdade ou a razão — exatamente o que Hume descreve: o orador que conquista a credulidade não pelo argumento lógico, mas pelo impacto emocional sobre um público condescendente.

As demais alternativas são incorretas porque associam a eloquência a tradições filosóficas que, ao contrário, valorizam a razão e o rigor lógico: a objetividade do conhecimento, a lógica formal dos Analíticos aristotélicos e o método cartesiano são todos paradigmas racionais, opostos à persuasão irracional criticada por Hume. A referência aos Universais medievais também não se aplica, pois diz respeito a uma disputa metafísica, não ao problema da retórica.

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