A “invenção” dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, que se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde, nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2011.
O texto indica o seguinte aspecto da disciplina como ferramenta política:
O texto de Foucault descreve como a disciplina não surge de uma única fonte central, mas se espalha por meio de múltiplos processos pequenos, dispersos e interligados, presentes em instituições como colégios, escolas primárias, hospitais e o exército. Essa dinâmica corresponde ao conceito foucaultiano de poder capilar: o controle penetra o tecido social de forma difusa, como capilares que se ramificam por todo o organismo, sem um ponto único de emanação.
A alternativa correta é, portanto, a que fala em capilarização das práticas de controle, pois captura exatamente essa ideia de disseminação gradual, múltipla e institucional do poder disciplinar.
As demais alternativas contradizem a tese foucaultiana: suplício e espetacularização da penitência remetem ao modelo pré-moderno de punição pública que Foucault critica como superado; judicialização implica centralidade jurídica, não difusão capilar; e dissolução de distinções de nobreza é uma questão de estratificação social que o texto não aborda.
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