Para que a utopia nasça, é preciso duas condições. A primeira é a forte sensação de que o mundo não está funcionando adequadamente e deve ter seus fundamentos revistos para que se reajuste. A segunda condição é a existência de uma confiança no potencial humano à altura da tarefa de reformar o mundo, a crença de que nós, seres humanos, podemos fazê-lo, sendo capazes de perceber o que está errado com o mundo, o que precisa ser modificado, quais são os pontos problemáticos, e ter força e coragem para extirpá-los.
BAUMAN, Z. apud OLIVEIRA, D. Bauman: para que a utopia renasça, é preciso confiar no potencial humano. Revista Cult, jan. 2017.
De acordo com o autor, qual é a função da utopia no contexto das transformações sociais?
O texto de Zygmunt Bauman apresenta a utopia como um conceito filosófico-sociológico ligado à crítica social e à projeção de mudanças. Segundo o autor, a utopia exige dois elementos: reconhecer que o mundo precisa ser revisto e acreditar na capacidade humana de transformá-lo.
A alternativa correta expressa justamente isso: a utopia funciona como um horizonte que indica o que pode e deve ser diferente, orientando a ação humana rumo à transformação. Ela não resolve definitivamente os problemas (o que tornaria a alternativa sobre soluções conclusivas incorreta), mas aponta possibilidades de outro mundo.
As demais alternativas não correspondem ao texto: memórias afetivas e experiências passadas são categorias que olham para o que já foi vivido, enquanto o autor foca no potencial de reformar o futuro. Perpetuar paradigmas científicos contradiz a ideia de revisão dos fundamentos. Soluções conclusivas implicam um fechamento que a utopia — por natureza aberta e projetiva — não oferece.
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