Questão 65 — ENEM 2025 (Humanas)

O que eu queria ter sido

Um nome para o que sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser. O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de “a protetora dos animais”. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la. E eu sentia o drama social com tanta intensidade que vivia de coração perplexo diante das grandes injustiças a que são submetidas as chamadas classes menos privilegiadas.

LISPECTOR, C. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2013.

A reflexão contida no texto faz referência aos pressupostos de uma doutrina ética representada pelo

Resolução

O texto de Clarice Lispector expressa o desejo de ser uma lutadora pelo bem dos outros: defender os acusados, sentir as injustiças sociais e proteger os mais vulneráveis. Esse conjunto de valores remete diretamente ao altruísmo, doutrina ética que coloca o bem-estar alheio como motivação central da ação moral, em oposição ao egoísmo.

O conceito de altruísmo, sistematizado pelo filósofo Auguste Comte, define a disposição de agir em benefício dos outros sem esperar retorno pessoal. A narradora demonstra exatamente isso ao sentir o "drama social com tanta intensidade" e ao se ver naturalmente inclinada a proteger e defender.

As demais opções não se encaixam: o estado eudaimônico (aristotélico) trata da felicidade e realização pessoal; o hedonismo busca o prazer como bem supremo; o antiespecismo defende igualdade entre espécies animais; e o pragmatismo avalia ações pelos seus resultados práticos e utilitários — nenhum desses captura a essência do texto, que é a dedicação desinteressada ao próximo.

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